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Estilo de vida, álcool e saúde: o que estudos recentes da conceituada revista científica The Lancet mostram sobre mortalidade e longevidade

By CISA 29 Janeiro 2026

Estudos recentes publicados em revistas do grupo Lancet indicam que pequenos ajustes em comportamentos do dia a dia, como atividade física, sono e alimentação, estão associados à redução da mortalidade e ao aumento dos anos de vida saudável. Esses achados contribuem para o entendimento de como o consumo de álcool, inserido no contexto mais amplo do estilo de vida, se relaciona com outros comportamentos e com desfechos de saúde ao longo do tempo.

Um estudo recente publicado na revista The Lancet analisou dados de grandes coortes internacionais e estimou que incrementos modestos de atividade física, cerca de 5 minutos adicionais por dia, estariam associados a uma redução relevante no número de mortes em nível populacional¹. Reduções no tempo diário em comportamento sedentário também apresentaram associação com menor mortalidade. Esses resultados reforçam a importância de comportamentos cotidianos na melhora da qualidade de vida.

O consumo de bebidas alcoólicas faz parte do conjunto de hábitos que caracterizam o estilo de vida das populações. Evidências indicam que padrões de consumo de álcool podem influenciar níveis de atividade física, qualidade do sono e escolhas alimentares, compondo trajetórias distintas de exposição a fatores de risco e proteção ao longo da vida. Isso significa que a redução do consumo de álcool, conjuntamente a outras mudanças benéficas no estilo de vida, como prática de atividades físicas, podem ter impacto positivo para a longevidade. 

Outro estudo, publicado na eClinicalMedicine, revista do grupo Lancet, avaliou de forma integrada sono, atividade física e alimentação, demonstrando que melhorias simultâneas  nesses fatores estão associadas a ganhos tanto em expectativa de vida quanto em anos vividos sem doenças crônicas². O estudo destaca que os efeitos combinados desses comportamentos tendem a ser mais expressivos do que mudanças isoladas.

Nesse contexto, o álcool pode ser compreendido como um elemento intrínseco a um conjunto de comportamentos inter-relacionados. Diferentes padrões de consumo coexistem com rotinas variadas de sono, níveis de atividade física e hábitos alimentares, todos influenciados por fatores sociais, culturais e ambientais. Portanto, a análise integrada desses comportamentos pode permitir uma compreensão mais ampla dos determinantes da saúde e da longevidade.

Do ponto de vista da saúde pública, os estudos contribuem para o debate sobre abordagens multidimensionais, reconhecendo que fatores associados ao estilo de vida, tais como o consumo de álcool, atividade física, sono e alimentação, não atuam de maneira isolada. Estratégias baseadas em mudanças graduais e realistas podem favorecer melhorias nos desfechos de saúde observados em nível populacional. Importante ressaltar que essas estratégias devem respeitar padrões, crenças e hábitos de vida dos indivíduos, de forma que as chances de sucesso se tornem maiores a longo prazo.

Em síntese, as evidências recentes sugerem que pequenos ajustes no cotidiano, dentro de um contexto mais amplo de hábitos de vida que inclui o consumo de álcool, estão associados a benefícios relevantes para a saúde e a longevidade, reforçando a importância de análises integradas sobre comportamento e saúde.

Additional Info

  • Referências:

     1. Ekelund U, Tarp J, Ding D, Sanchez-Lastra MA, Dalene KE, Anderssen SA, et al. Deaths potentially averted by small changes in physical activity and sedentary time: an individual participant data meta-analysis of prospective cohort studies. Lancet. 2026;407:339–349

     2. Koemel NA, Biswas RK, Ahmadi MN, Teixeira-Pinto A, Hamer M, Rezende LFM, et al. Minimum combined sleep, physical activity, and nutrition variations associated with lifespan and healthspan improvements: a population cohort study. eClinicalMedicine. 2025;103741

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